Woolf, de novo, e ficção científica

A maioria dos escritores ditos “sérios” faz cara de nojinho quando termos como ficção científica, fantasia e até o mais aceito realismo mágico acaba caindo no seu colo, mas poucos sabem que vários de seus pares e ídolos ou eram leitores do gênero ou arriscaram-se a escrever algumas obras, ainda que atrás de pseudônimos. Brincando com esta esta ideia, o artigo Virginia Woolf’s secret career as a science fiction writer who inspired Attack of the 50 Foot Woman, publicado no site especializado io9, descreve a segunda carreira fictícia da autora de Orlando, tomando emprestada a existência de um autor real, ou melhor, um pseudônimo real, EV Odle. Nesta mesma matéria, ficamos sabendo que Virginia Woolf era admiradora de um influente escritor de FC, Olaf Stapleton, e chegou a escrever uma carta para ele, como fã. A matéria toda é muito interessante e pode ser lida aqui: The Science Fiction Writer Who Received Fan Mail From Virginia Woolf. Nota: Aparentemente, a carta não apareceu entre as que ela teria escrito, mas apenas no acervo de Stapleton, recuperado pelo também escritor de FC Kim Stanley Robinson.

Mas, sejamos justos. Ao contrário do que o artigo afirma, o estilo de Woolf não mudou completamente após a leitura de Stapleton. Como muito bem aponta o comentário do usuário Pope John Peeps II (tradução canhestra minha):

Woolf estava constantemente evoluindo, deliberadamente experimentando tanto com a escrita quanto com a linguagem  ao longo de toda a sua carreira, e era sempre influenciada pelo ambiente literário ao seu redor. Dizer que um livro mudou totalmente sua forma de escrever é dizer que, antes deste livro, ela estava estática e, logo após, foi alguma forma “libertada”.

Não vou entrar na rivalidade artificial e tola entre os leitores e escritores “realistas”/mainstreams e os que não ligam para gêneros específicos; basta lembrar  que Guimarães Rosa escreveu contos decididamente pulp e Salman Rushdie foi orientado por seus editores a não participar de premiações de FC (seu primeiro romance, Grimus, é uma ficção científica) por receio de que ele fosse “rotulado” pelo mercado, para ver que os limites são, muitas vezes, bem tênues.

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