A Praga

Minha mão era negra. Meu pai, branco de olhos verdes. Eu nasci de pele clara e olhos castanhos. Só fui conhecer o racismo graças a minha avó, mãe de meu pai, que abominava a união de seu filho. Mas era um preconceito velado, cheio de insinuações, frases maldosas e subterfúgios. Talvez por isso (e por só ter percebido este comportamento na minha adolescência), eu tenha uma aversão especialmente virulenta a discriminação racial – e outras, que nada têm a ver com cor de pele ou etnias. Como hoje é o Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial (sabia? Eu também não) e, por mais que eu considere estas datas comemorativas por decreto inúteis, recebi por acaso o link para um post do blog A Noite Americana que eu gostaria de ter escrito.

É uma análise da última cena do espectacular filme O Cão Branco, de Samuel Fuller. Não vou descrevê-la aqui, você tem que ver como ela funciona:  Detalhes de um mestre – “Cão Branco” (1982), de Samuel Fuller

Reproduzo parte do texto de Thiago Borges – como o cinema de Fuller, sincero, preciso e brutal:

Nesse momento, Fuller nos lembra de algo aterrador: o racismo dificilmente age na superfície, mas em silêncio, por trás de uma família feliz, do carro do ano, do emprego cobiçado. Corrói o interior, mata por dentro, antes de se tornar visível, antes de alguém vociferar contra uma minoria, depois contra negros, judeus, homossexuais, latinos, muçulmanos. A História, e o cotidiano, provam isso. Uma vez tomado por essa praga, é impossível se desvencilhar dela.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: