Archive for the ‘Blogs’ Category

Topifaive Tirinhas na internet

terça-feira, 29 setembro, 2009

Sempre gostei de quadrinhos. Para muita gente, dizer isso é o mesmo que “sou um homem adulto que ainda  se diverte com obras para criancinhas” – não que isso seja necessariamente ruim, basta ver que os filmes mais recentes da Pixar são muito mais interessantes e adultos do que 90% da produção hollywoodiana atual. É óbvio que o tempo passa, os gostos mudam, os autores de ontem dão lugares a outros e mais um punhado de clichês. Enfim, desde algum tempo encontrei na internet brasileira um ótimo lugar para ler tirinhas fenomenais; falarei das cinco preferidas – e mais uma que não poderia ficar de fora.

1. Os Passarinhos

Estevão Ribeiro criou dois pássaros: Hector, sonhador e futuro escritor, e Afonso, o sujeito com os pés no chão que sempre chama o companheiro de volta a realidade. Parece simples, mas não é; sutil e inteligente, a tirinha foi citada até mesmo por Neil Gaiman, que divulgou a homenagem que o autor fez a ele.

2. Wagner & Beethoven

Surreal e sensacional. Wagner e Beethoven são dois amigos no meio da indústria cultural, da música clássica, dos cacoetes da classe média. As tiras não são desenhadas, na verdade, fazem uso de ilustrações dos dois compositores sempre escolhidas com cuidado, o que torna o resultado ainda mais absurdo e engraçado.

3. Os Malvados

Ok, o André Dahmer já não é novidade, graças a qualidade de suas histórias curtas, cruéis e sarcáticas. Suas tiras já saíram em livro e seu mapa irônico da internet brasileira virou referência. Imperdível.

4. Vida Besta

Descobri o Jean Galvão por puro acaso, acredito que procurando uma tirinha que expressasse o que penso do carnaval – e achei entre suas tiras, que variam do absurdo ao irônico em questão de, bom, de três quadros. Destaque para os sentimentos e experiências dos personagens que insistem em aparecer como monstrengos e conversar com seus donos.

5. Problogger

O Problogger é, na verdade, um personagem e série dentro de um projeto maior, o nadaver.com. Trata das agruras e esquisitices de um problogger wannabe, elevando a enésima potência as manias e modas da (não gosto desta palavra, mas enfim…) blogosfera brasileira.

Manual do Minotauro

Desde que Laerte abandonou a linearidade e os personagens fixos, tem desenvolvido um projeto que privilegia a sensação provocada pelo quadrinho e menos a sua racionalização, perdeu boa parte de seus leitores diários da Folha de São Paulo. E ganhou outros. Sempre achei o Laerte o mais maduro e interessante dos quadrinistas brasileiros e o Manual do Minotauro, um repositório absolutamente pessoal de seus últimos trabalhos, é a prova definitiva desta opinião.

Posts relacionados:

Velha nova polêmica
De Norman Rockwell a Hugo Pratt

Sobre o Nosso Tempo

sexta-feira, 12 junho, 2009

Tenho algumas anotações aqui, que esperam ser transformadas em posts, especialmente depois desta pausa de uma semana no blog. Estava com vontade de falar sobre a minha releitura (no sentido de “ler pela segunda vez”, não naquele sentido que artistas e sociólogos dão ao termo) de O Coração das Trevas, de Joseph Conrad, mas percebi que não combinava nem um pouco com a data. Deixemos Conrad para outra hora.

O blog do Polzonoff, que sempre acompanhei, virou um índice para as suas twittadas diárias. E quer saber? Ficou ótimo, tanto que estou até pensando em entrar seriamente para a turma dos twitteiros – ao menos uma vez por dia, e olhe lá. De lá veio o link para um livro cujo título é bastante curioso e está na estante de auto-ajuda da Livraria Cultura: 50 Motivos Para Amar o Nosso Tempo . Sim, todos sabem a aversão que tenho a auto-ajuda, mas, concordo quando ele diz acreditar na sinceridade dos leitores que desejam, simples e naturalmente, melhorar algum aspecto de suas vidas. Mas não foi isso que me atraiu no livro e seu título curioso.

Lembrei-me de um artigo do escritor de ficção científica Isaac Asimov na versão brasileira da revista que leva o seu nome, em que ele narra um encontro com jovens. Um deles teria dito que sua vida seria bem melhor na Grécia ou Roma antigas. O escritor replicou, afirmando que ele teria uma ótima vida como escravo, que era a mais provável “ocupação” que o jovem conseguiria. A saudade por um tempo jamais vivido é uma bobagem, a qual todos sucumbimos, por algum tempo de nossas vidas. Somos bombardeados o tempo todo com afirmações categóricas sobre como tudo era melhor no passado, a vida mais leve e fácil. E não é difícil dar alguma razão a estes argumentos diante das complexidades da nossa existência moderna. O outro lado é igualmente enganoso: acreditar que estamos no melhor dos tempos, o que também é inevitável. A isso gosto de dar o nome de cronocentrismo (termo que tem acepções mais rigorosas na academia, a minha é bem relaxada…), ou seja, a crença de que nossa época é o ápice da suposta evolução da humanidade. Não lembro bem e peço que me corrijam, mas parece-me que Aristóteles teria dito que tudo o que era preciso para facilitar a vida do homem já havia sido inventado e restava-nos a filosofia e o estudo do funcionamento do universo. Do Iluminismo a Revolução Industrial, passando, claro, pelo fim da história pregado por socialistas e liberais (cada um a sua maneira, claro), a ilusão de que o tempo em que vivemos é o último degrau da humanidade é tão comum e perniciosa quanto o saudosismo.

Seja lá qual for a sua opinião sobre nossa era, nem eu ou você podemos escapar a sina de ser um “homem ou mulher de nosso tempo”. Gosto de ler sobre o século XIX, o Renascimento e a Idade Média, mas nada me fará um burguês londrino, um pintor italiano ou um templário. E, como eu não acredito em reencarnação, não fui nenhum destes personagens. Resta-me apenas esta existência, que muita gente diz ser menor e menos interessante do que a maioria das que me precederam. Não concordar com esta postura, parece-me, é o mote deste 50 Motivos Para Amar o Nosso Tempo. Uma lufada de otimismo com olhos céticos.

E as grandes vedetes deste otimismo sem apelação a síndrome de Pollyana são, certamente, as conquistas das quais nem damos conta: tecnologia e ciência e os resultados sociais destas mudanças. Não percebemos, mas talvez estejamos no meio de uma grande revolução no modo como produzimos, consumimos e distribuímos informação. E informação, lembre-se sempre disso, não faz muito tempo, era algo exclusivo de uma parcela quase irrisória da humanidade. Sim, ainda é uma parcela bem raquítica a que tem acesso a tudo isso, mas é o suficiente para criar pressão por liberdades e direitos num ritmo e volume jamais experimentados. É tudo muito confuso? É, bastante, e deixa eu dizer uma coisa: o mundo sempre foi e sempre será uma confusão assustadora.

É preciso ter a consciência do preço que foi pago (em vidas, inclusive e especialmente) para que a humanidade chegasse até aqui; é necessário, sim, conhecer o passado. Mas adorá-lo cegamente nos impede de identificar e usar as gigantescas possibilidades que certos recursos modernos nos oferecem.  Exatamente os recursos tornam a vida hoje tão interessante e excitante – e naturalmente difícil.

Só para citar um exemplo: Desde quando uma pessoa qualquer, como eu, teria leitores de todas as partes graças a um esforço técnico relativamente pequeno? Faz muito pouco tempo que isso se tornou possível – menos de duas décadas.

Surpresa!

sexta-feira, 3 abril, 2009

Pois bem: se não são os amigos para nos dar uma sacudida, quem faria isso? O blog anda modorrento, meio abandonado e mesmo assim ganhou um prêmio da minha mais nova amiga de infância Marie – e nem sei como agradecer. Na verdade, a melhor forma que encontrei foi essa: retomando o blog, colocando ordem nas coisas, respondendo a um monte de comentários que já estavam se acumulando… Como diz um outro site, agora vai!

Ah, e não deixem de visitar os blogs indicados lá – são todos de primeira, e ter sido colocado ao lado de tanta gente boa equivale a ser promovido.

Duas dicas imperdíveis

terça-feira, 23 dezembro, 2008

Se você gostou do post De Norman Rockwell a Hugo Pratt, então siga o conselho da minha amiga e leitora do blog, Ana: neste endereço, há uma entrevista de Pratt em francês – no Youtube. Mesmo que o seu francês seja pedrestre como o meu, vale (muito) a pena vê-lo desenhando Corto Maltese.

Já o post que mais reações apaixonadas gerou, como quase todo texto ou posicionamento político, O Sonho Sombrio de Stálin (uma aliteração tão óbvia que parece letra dos Engenheiros do Hawai), ganhou um adendo respeitável graças ao leitor Zé das Couves: a versão legendada em português do documentário The Soviet Story. Em 13 partes no Youtube.

Certamente, a parte mais gratificante do trabalho de se manter um blog é quando ele começa a conectar pessoas, que chegam a contribuir com seus comentários. Obrigado aos meus poucos, porém fiéis leitores.

Para não dizer que não falei dos blogs

sábado, 15 novembro, 2008

Eu ia comentar este post do Quero Ter um Blog! , mas desisti. Basta colar aqui a descrição do equívoco cometido pela professora Luiza Lobo feita no LuluzinhaCamp :

A senhora [a professora Luiza Lobo] falava sobre seu livro “Segredos Públicos: Os Blogs de Mulheres no Brasil”. Na ocasião, a senhora foi categórica em afirmar: a produção feminina em blogs tem a característica do diário, do texto confessional, da exposição pública de sua vida privada. Por outro lado, homens fazem blogs de notícias.

Eu falaria da cegueira de certos setores da academia, um pouco de machismo, da inabilidade de muita gente tem em enxergar o incrível ecossistema que a rede de blogs cria, mas de repente percebi que eu gostaria mesmo é de refletir um pouco sobre o que são os blogs. Como eu já havia reunido uma penca de links a respeito desta discussão (que não tem fim, ainda bem), vou ler mais e organizar melhor as minhas idéias antes de escrever a respeito. Além do próprio Quero Ter um Blog!, que tem alguns ótimos posts sobre o assunto, deixo aqui os links para uma série do Bruno Garschagen debatendo os blogs, que gerou opiniões muito interessantes nos comentários:

Blogues em debate:
Parte 1 – O fim dos Wunderblogs
Parte 2 – Uma pergunta pertinente
Parte 3 – O caos que se ordena
Parte 4 – Blogueiro e leitor
Parte 5 – A repercussão (ainda modesta)
Parte 6 – Blogue e a grande imprensa
Parte 7
Parte 8 – O fim do monopólio da escrita
Parte 8 (continuação) – Questões legais

De qualquer forma, concordo plenamente com a indignação delas. A questão, claro, não é que blogs-diário sejam ruins; o problema é reduzir a (odeio esta palavrinha, mas estou sem opções) pluralidade da (também não gosto dessa, mas lá vai) blogosfera a uma categoria e ainda associá-la a uma (você já sabe, não gosto…) questão de gênero. Basta dar uma lida na variedade da longa lista linkada no mesmo post do Quero Ter um Blog! para ter uma idéia do que estamos falando.

Perseguindo Nisus (bifurcação), a salvação genética – Parte II

quinta-feira, 20 março, 2008

O Léo, do Dança Fragmentada, me convidou para participar de uma bifurcação do projeto Memistória. E eu aceitei, claro. Infelizmente, por culpa de uma semana por demais complicada, acabei postando a segunda parte apenas hoje. Sorry.

Para entender esta história toda, minha sugestão é ler o post original dele, aqui. E, claro, leia a primeira parte que ele escreveu, e da qual gostei muito. Tentei seguir a mesma linha, bem B mesmo, história em quadrinhos. Espero ter conseguido, apesar de ter ficado mais longo do que pretendia a princípio.

Perseguindo Nisus, a salvação genética – Parte II

Quase não conseguiu manter o cinismo do sorriso; o chefe estava a um segundo de perceber que estava apenas dissimulando o pavor. Somos os dois homens de batalhas, de lutas, deveríamos já estar acostumados a estas trocas de insultos velados antes do embate, pensou. Resolveu continuar atuando, com um tom de voz quase ofensivo:

– E o que você quer hoje, chefe?

Ele esboça um sorriso que levanta a cicatriz e aperta o olho leitoso, vítreo:

– Nada de mais; só quero te mostrar que toda sua luta foi em vão.

Nisus aperta os dedos, sente as mãos pulsarem. Será que o chefe já sabe que a menina morrera dois anos atrás? Que ela foi vitimada exatamente por ser um experimento genético mal-sucedido? E a isso que ele se refere falando em luta vã?

O chefe vira o rosto para a direita, em direção a uma porta que se abre lentamente:

– Vanessa, diga alô para o tio Nisus.

Uma menina, em tudo idêntica àquela que Nisus protegeu, levou a centros de pesquisa, hospitais, até ao louco que o criara, entra. O gênio criativo e perverso do chefe se revela nos detalhes macabros: a menina veste a mesma roupa daquele dia, da última luta. Até a cor do laço, displicentemente repousado sobre um redemoinho dos longos cachos castanhos, é o mesmo.

– Não, é loucura, você não…

– Quando a minha equipe recuperou meu corpo, a última coisa que ordenei antes de ficar inconsciente foi que revirassem o lugar a procura de cabelos, pele, saliva, qualquer coisa, qualquer resquício orgânico da menina.

Vanessa – Nisus não conseguia se acostumar a este nome – abraça as pernas do chefe e sorri, encarando-o.

– O resto foi fácil. Na verdade, eu deveria ter feito “isso” antes.

Quando o chefe termina de dizer a frase, outra menina sai da porta. E outra. Mais uma. E logo, dezenas delas, como versões minúsculas e femininas de Agentes Smith, todas pateticamente idênticas, estão ao lado do chefe, encarando Nisus, que não consegue reagir a não ser com um grito que se torna um urro:

– Todas elas morrerão! Todas! Você não percebe que o seu experimento fracassou? Você condenou todas elas a uma morte horrível, eu vi, eu sei o que eu estou dizendo!

As meninas se afastam. Uma delas grita, puxam-se de um lado para outro, cochicham assustadas. Mas não fogem.

– Eu também sei. – o chefe sorri – E sabe o que mais eu sei? – aponta para o antigo aprendiz – Que você descobriu como evitar a degeneração gênica delas. Mas era tarde demais para ajudá-la.

O doutor. Não, não há outra forma de o chefe ter descoberto tudo isso, a não ser que ele tenha entrado em contato com o doutor, o homem que tentou salvar a menina, que me ajudou, pensa Nisus. O doutor morreu num acidente de carro, eu fui ao seu velório.

– Bom, eu nem deveria esclarecer a coisa toda, mas você sempre foi meu aluno mais lento, apesar de aplicado e inteligente. Se você quer salvar estas meninas, vai ter que me entregar a cura para a degeneração delas, antes que ela comece. Mas, ah, a ironia, como eu gosto disso… Deixe-me lembrar daquela noite, das suas palavras exatas… Como foi mesmo que você chamou a menina?

Nisus, de cabeça baixa, sente o ódio vibrando em seu pescoço, nos dentes crispados, nas mãos tensas, todo o corpo pronto para atacar, impedido pela consciência e responde, quase num sussurro:

– Porta para o genocídio.

– Isso. Você salva essas meninas aqui e me dá a chave da porta para o genocídio.

Ele olha para elas. Em todas, a inocência que ele já vira definhar em salas de cirurgia, tumores internos capazes de enlouquecer um soldado, UTIs, bombardeio de antibióticos poderosos e inócuos, até o fim silencioso, ela abraçada ao seu ombro, quase irreconhecível.

– A decisão é sua, Nisus.

Meus amigos de infância mais recentes – 1

quarta-feira, 5 março, 2008

A coisa funciona assim, ó: você tem um blog, está sem idéias e olha para os textos armazenados no HD. Descobre que não tem nada muito interessante e que alguns são uma vergonha. Você tem, então, duas opções:

1) A sensata: Dá de ombros, a vida é assim mesmo, e vai dormir (são 00:51!);

2) A cara-de-pau: Inventa uma série bem safada de posts (alguém aí falou “topifaive”?) e vai em frente.

É óbvio e ululante que estou inaugurando uma série. Surrupio logo a frase do Garschagen para usar como título e ainda controlcêcontrolvê na dica dele, porque realmente vale (e muito) a pena: mademoiselle Tourvel é um blog de primeira, inteligente e espirituoso, ou melhor, estas são qualidades da mademoiselle.

Se você não conhece Marie de Tourvel, vai logo na locadora e assista a Ligações Perigosas. Valmont também serve, mas não tem a Michelle Pfeiffer. Mas, pelo amor de John Malkovich, fique longe desta tralha.

***

Na verdade, por uns 12 segundos eu pensei seriamente em escrever sobre o Fidel, mas preciso parar com esta mania de ficar chutando cachorro morto e tacando pedra na orelha de zumbi podre.

Meu primeiro meme!

quinta-feira, 11 outubro, 2007

A Evelyn (obrigado!) me convidou a participar de um meme bacana:

1) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2) Abra-o na página 161;
3) Procurar a 5ª frase completa;
4) Postar essa frase em seu blog;
5) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6) Repassar para outros 5 blogs.

Aí está:

Eram portanto as minhas perguntas que os divertiam, que consideravam particularmente espertas?

Investigações de um cão, em Narrativas do Espólio, Franz Kafka, Companhia das Letras, tradução de Modesto Carone (Por sorte este era realmente o livro mais próximo, e não uma gramática de inglês logo abaixo do Kafka).

E passo este meme para o Edson Junior (Baterbly Etc.), Paulo (Los Olvidados), Renata (Literorragia), Ricardo (Desculpe a Poeira) e Jean-Philip Albert Struck (Canaca).